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Aqui você encontra relatos, fotos e comentários de estudantes sobre as experiências no Internato em Saúde Coletiva.

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Resende Costa e o Internato Rural

Governador Valadares

A Faculdade de Medicina da UFMG oferece muitas oportunidades de crescimento para os seus alunos: tanto em relação a amadurecimento profissional, quanto pessoal. E o Internato Rural é uma das que marcam a vida da gente.
Ao entrar em contato com uma realidade diferente da qual estamos habituados, a disciplina oferece mais do que uma oportunidade de aprendizado técnico, mas também permite que o estudante de Medicina tire proveito de situações inusitadas e “impossíveis” de serem vivenciadas sem esse distanciamento do conforto e da segurança de nosso lar.
Particularmente, fui literalmente sorteada com a cidade de Resende Costa. Situada a cerca de 180 Km de Belo Horizonte, fica perto de São João Del Rei e Tiradentes. Seus cerca de 20 mil habitantes vivem longe da agitação das metrópoles, num ritmo humano e tranqüilo, tendo a possibilidade de vivenciar uma qualidade de vida boa, mesmo pertencendo a classes com um poder aquisitivo bem próximo da pobreza absoluta.
O Internato Rural está em Resende Costa há 20 anos. A UFMG já faz parte da história da cidade. Os habitantes esperam pelos novos internos, nos acolhem e nos contam histórias até hilárias de colegas que passaram por lá. Coisa de jovem. Espero que eu tenha deixado uma marquinha boa.
São 20 anos de melhorias acumuladas e benefícios, que chegaram em povoados distantes, mas também, e é claro, problemas, que infelizmente estão arraigados e ainda persistem.
A cidade vive do artesanato têxtil, confeccionando tapetes colchas e outros artigos. Todos da minha família agora conhecem as confecções da “minha cidade” do Internato. Praticamente, todas as casas têm um tear manual ou vende esses trabalhos, produzidos com sobras de malhas das indústrias. É difícil ver alguém desempregado lá.
Construída sobre uma rocha, a cidade oferece uma vista panorâmica do pôr do sol, os moradores e visitantes podem caminhar sobre a grande 'laje' e apreciar a paisagem montanhosa da região.
A riqueza maior é o próprio povo. Suas tradições culturas. O jeitinho brasileiro-mineiro de ser. A conversa na praça, em frente de casa, na padaria ... O diferencial é o calor humano, inestimável.
A gente das roças, povo humilde, trabalhador, rostos e mãos marcados pela labuta, com o olhinho de quem tem muita experiência de vida. Aliás, sofrida. Mas, com dignidade e persistência trabalha desde tenra idade e não troca a própria terrinha por nenhuma outra.
O carinho é manifestado de uma forma linda: oferecendo-se o que tem de melhor. Da colheita da época a um animal uma “quitanda” caseira. Pegamos a safra de goiaba, laranja e mexerica. Fruta era algo que não faltava, aos montes, em nossa casa. Acho que nossa saúde deve ter até melhorado, agora. Ao menos no que se refere à ingestão de frutas ...
E tudo isso não foi alguém que me contou ou que tentou me ensinar. Fui eu quem vi. Fui eu que vivi. E dentro dessa realidade também percebi a responsabilidade maior do estudante no Internato.
Essas pessoas têm muita esperança e expectativas quanto à nossa presença lá. Ao ouvirmos, sempre, um “obrigado, doutora”, no fundo é o nosso coração que absorve a determinação de querer um mundo melhor.
Apesar do lado idílico e romântico, há muito trabalho a ser realizado. Além da parte técnica, o povo espera muito além do assistencialismo. Eles querem saúde.
As demandas são muitas.
Os jovens sonham não apenas com uma profissão, mas também com um emprego e com entretenimento. Os trabalhadores querem o próprio o sustento com saúde plena. Os idosos querem ser ouvidos. Querem atividades voltadas para a terceira idade, nas várias áreas que necessita.
Os professores aguardam uma palavra, um incentivo, uma idéia que os permita contribuir melhor para todos esses anseios. Mas, em geral, percebi que a população quer atenção, no mais amplo sentido da palavra.
Os problemas existem. Tanto lá, quanto em qualquer outro lugar. Mas, eu pude vivenciar isso, dia a dia. Com a certeza de que meu trabalho podia fazer diferença. Tanto lá, quanto em qualquer lugar.
E é da solução que espero, como médica, poder participar. Em breve! Por enquanto, ano eleitoral, as disputas políticas acabam deixando o povo um pouco de lado. Provavelmente ficam algumas pendências da saúde para a próxima gestão. Ainda que aparentemente simples.
Chega o último dia. A despedida: Na hora de ir embora o coração fica dividido: metade quer continuar na cidade que acolheu e que tanto marcou a vida. Onde você é um ser de importância muito maior do que nos permitimos ser importantes para alguém.
Além de se interessarem por sua história – eles ouvem! –, estão sempre prontos para ajudar, choram a nossa despedida, contam de si, de suas famílias, derrotas e vitórias.
A outra metade do coração quer voltar. Afinal, ainda há muito que aprender. Os estudos devem continuar. E também temos família, amores, e tantas atividades em Belo Horizonte! A experiência do Internato Rural, certamente, contribuiu para que minha formação como cidadã, médica e pessoa.
Obrigado Resende Costa. Espero ter deixado aí também um pouco da minha vivência e da minha pouca experiência.

Andréa Cristiane Lopes da Silva
Estudante do 12° período de Medicina

Comentário:

Marcelle Porto Cangussu
Médica

Resende Costa e o Internato Rural: Simon e a Déia estão com um sorriso lindo, e nos que passamos por essa experiência maravilhosa , sabemos bem o significado de tudo isso.

Maria Clarice
estudante

Resende Costa é realmente uma cidade fantástica e com o mais lindo por do sol que eu conheci.


Governador Valadares - Um Vale de contrastes e esperança

Governador Valadares

Cidade emoldurada pelo Rio Doce e abraçada pelo Pico do Ibituruna, essa é Governador Valadares, famosa pelos caçadores de oportunidades nos EUA que dizem ter transformado-a na "Princesinha do Vale". Vale do Rio Doce que deu um formato único, fazendo dessa cidade uma planície planejada e também muito quente. Não podemos reclamar porque os prometidos 43ºC ainda não compareceram, mas é provável que venham para os internos do final do ano.
A primeira impressão não é bem de "Rural". Ruas largas, arborizadas, Shopping Center, Hipermercado, até o MC Donald's tem seu lugar na cidade. Mas logo descobrimos que a cidade possui 2.340 km² contra os míseros 331 km² de Belo Horizonte. Ou seja, uma antiga zona rural belorizontina que virou cidades que formam nossa região metropolitana, aqui ainda são distritos e comunidades rurais: Brejaubinha, Chonim, Derribadinha, Melquíades entre outros. Por vezes são 60 km de estrada de terra e ainda estamos dentro da área do município.
A grande satisfação disso tudo é ver que a medicina aprendida na FM também funciona aqui, mesmo sem os exames do HC e da Prefeitura de BH à disposição. Na verdade até temos uma estrutura boa de referência e propedêutica, o problema, na maioria das vezes, é falta de condições do próprio paciente de pagar por um transporte para ir à cidade realizar um exame.
O Sistema de Saúde aqui, como o de BH, sofre com os pacientes despejados diariamente na porta do Hospital Municipal. Os gestores das cidades vizinhas trocam uma Unidade Básica de Saúde por um carro.
Contudo, essa experiência tem aumentado o gosto pela saúde pública. É possível visualizar maneiras de melhorar e a Telessaúde é apontada como uma esperança. Aqui existe muita gente empolgada e trabalhando com garra e competência pela saúde pública, buscando resultados reais, além do discurso político.

Felipe Marques Gonçalves
3º trimestre de 2008

Comentário:

 

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